O ano que veio “separar as águas” na indústria da Energia

Na apresentação do BP Statistical Review of World Energy que se realizou em Portugal, o foco esteve nas mudanças estruturais no mercado mundial de energia e no projecto premiado pela BP.



"É possível que 2014 venha a ser visto como uma espécie de separador de águas para a indústria da energia. Não tanto pela volatilidade associada à acentuada queda dos preços do petróleo - que é habitual -, mas porque trouxe à tona algumas das tendências de longo prazo que poderão vir a ter uma enorme influência no sector da energia nos próximos anos." A afirmação é de William Zimmern, a quem coube a apresentação do último "BP Statistical Review of World Energy", em Portugal, no passado dia 2 de Julho.

Foi no Grande Auditório do ISCTE que o responsável da área de estudos macroeconómicos da BP enumerou como "factos do ano" no sector da energia a amplitude da revolução do xisto nos Estados Unidos - dando início a uma "nova ordem mundial no abastecimento de energia" -, o "reequilíbrio da economia chinesa" e as suas implicações no consumo mundial de energia e no ‘mix' de combustíveis, e ainda o "crescente foco" nas questões climáticas e ambientais, tentando resolver o "duplo desafio de utilizar a energia de forma eficiente e sustentável, garantindo, em simultâneo, o seu acesso aos que mais precisam".

William Zimmern referia-se ao facto de mais de mil milhões de pessoas no mundo não terem acesso a electricidade, sobretudo em África e na Índia, um indicador que apela a uma utilização "eficiente e sustentável das amplas reservas de combustíveis fósseis" e a algum "cuidado com os julgamentos sobre a utilização do carvão".

Para o especialista da BP, o ano de 2014 será visto como "um dos mais interessantes em termos de energia", com o petróleo e o gás de xisto (‘shale oil' e ‘shale gas') nos Estados Unidos a atingirem recordes de produção, os preços do petróleo em acentuada queda e as emissões de carbono a crescerem à taxa mais baixa dos últimos 15 anos.

"Como é que estas três forças afectaram o mercado de energia em 2014? Com um crescimento surpreendentemente fraco da procura de energia, face a uma crescente resiliência no crescimento da produção, e um consequente abrandamento dos preços da energia", explicou o responsável.

Para se referir às energias renováveis, William Zimmern utilizou a expressão do "copo meio cheio e meio vazio", destacando, por um lado, o seu crescimento - que representou perto de um terço do aumento total da energia primária em 2014 - e, por outro, o facto de representarem ainda apenas 3% da energia primária.

BP distingue projecto académico

"Este ano elevámos a fasquia ao integrar a apresentação do prémio atribuído no contexto da parceria com a BP neste evento, que volta a realizar-se em Portugal", afirmou Nuno Guimarães, vice-reitor do ISCTE, numa intervenção em que destacou a "ligação séria, natural e profunda" entre a apresentação do relatório da BP e o trabalho desenvolvido por alunos e professores do ISCTE.

"A relação com a BP tem vindo a crescer de forma consolidada e foi valorizada pela última direcção, que conseguiu negociar um protocolo que acrescenta valor, ao introduzir um prémio académico para alunos e professores que desenvolvam trabalhos relacionados com a energia", reforçou, por seu lado, Maria da Glória Morão Lopes, presidente do Alumni Clube ISCTE, salientando o contributo que o projecto vencedor terá para o investimento no sector da energia [ver caixa].
Já Ferreira de Oliveira, ex-presidente executivo da Galp, centrou a sua apresentação na oportunidade que representam o petróleo e o gás para países lusófonos como Angola, Moçambique e Brasil, e para Portugal, enquanto fornecedor de capital humano e tecnologia para aquela indústria.

"Entre 2013 e 2035 estes três países vão investir 1,8 triliões de dólares na exploração de petróleo e gás. É uma oportunidade gigantesca e um grande desafio onde temos de ver como podemos participar. O sistema científico português tem de perceber os desafios que a lusofonia nos proporciona. É uma oportunidade única na história do nosso País", destacou o responsável, lembrando que os países de língua portuguesa são responsáveis por 55% das descobertas de petróleo e gás em águas profundas.

Quanto à queda abrupta dos preços do petróleo, Ferreira de Oliveira considera que os valores "não vão continuar onde estão agora, mas também não voltar voltar onde estiveram", devendo ficar algures "no meio".
"Há um ano falávamos do dobro do preço do petróleo. Ninguém antecipava esta realidade", afirmou, por seu lado, Pedro Oliveira, presidente da BP, no encerramento da apresentação do BP Statistical Review of World Energy, um relatório que "ajuda a distinguir o ruído das tendências, que é onde devem assentar as decisões estruturantes", concluiu o responsável.

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